O Novo Bloco de Poder: Como os BRICS e a Desdolarização Podem Mudar o Comércio Exterior e Seus Investimentos em 2026
O cenário geopolítico e econômico global está em plena transformação, e o bloco BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), agora expandido para BRICS+, emerge como um dos principais catalisadores dessa mudança. A agenda de desdolarização e a busca por um sistema financeiro multipolar não são mais conceitos teóricos, mas sim movimentos concretos que criam novas rotas de comércio e, crucialmente, novas oportunidades de investimento para 2026.
A Expansão e a Busca por um Sistema Multipolar
O BRICS+ representa um bloco econômico com um peso demográfico e de Produto Interno Bruto (PIB) que rivaliza com o G7. A expansão do grupo, com a inclusão de novos membros, fortalece sua voz no cenário global e acelera a agenda de reforma do sistema monetário e financeiro internacional .
O principal motor dessa agenda é a desdolarização, um processo lento e gradual, mas irreversível, que busca reduzir a dependência do dólar americano nas transações comerciais e financeiras internacionais .
•Comércio em Moedas Locais: O Banco do BRICS (Novo Banco de Desenvolvimento – NBD) tem como meta aumentar a participação de moedas locais em sua carteira de empréstimos para 30% até 2026 . Isso significa que o comércio entre os países-membros será cada vez mais realizado em Real, Yuan, Rúpia, etc., diminuindo o risco cambial e a exposição a sanções de terceiros países.
•Alternativas ao Dólar: A discussão sobre a criação de uma moeda de referência do BRICS, como a “Unit” (lastreada em ouro e moedas fortes), embora ainda em fase inicial, sinaliza a busca por segurança e escala nas transações que envolvem quase metade da população mundial .
Oportunidades de Investimento para 2026

Para o investidor brasileiro, o BRICS+ abre portas para diversificação e exposição a mercados de alto crescimento.
| Setor | Oportunidade de Investimento | Risco a Considerar |
| Comércio Exterior | Empresas brasileiras com forte atuação em exportação para a China e Índia, que se beneficiarão do aumento do comércio em moedas locais e da simplificação logística . | Concentração excessiva em um único parceiro (a China ainda domina 92% das exportações brasileiras para o BRICS) . |
| Infraestrutura e Logística | Empresas de logística, portos e ferrovias que ligam o Brasil aos novos hubs de comércio com o Sul Global. O aumento do comércio exige melhoria na infraestrutura de escoamento. | Risco regulatório e de execução de grandes projetos de infraestrutura no Brasil. |
| Tecnologia e Finanças | Fintechs e empresas de tecnologia que desenvolvem soluções para facilitar transações e pagamentos internacionais em moedas locais, contornando o sistema SWIFT. | Concorrência com grandes players globais e a necessidade de adaptação a diferentes regulamentações financeiras. |
| Minerais Críticos | O Brasil, com suas reservas de minerais essenciais para a transição energética, pode se tornar um fornecedor estratégico para a China e outros países do BRICS+ . | Flutuação do preço das commodities e a necessidade de investimentos em processamento local para agregar valor. |
Estratégia para o Investidor Brasileiro
1.Olhar para o Sul Global: A expansão do BRICS atrai países da América do Sul (como Argentina, Paraguai e Uruguai) que veem no bloco uma chance de atrair investimentos e ampliar mercados .
Investir em empresas brasileiras com atuação regional pode ser uma estratégia inteligente.
2.Hedge Cambial Inteligente: A desdolarização não significa o fim do dólar, mas sim a ascensão de outras moedas.
O investidor deve considerar a exposição a moedas de países do BRICS, como o Yuan chinês, como parte de uma estratégia de proteção e diversificação.
3.Posição Estratégica do Brasil: O Brasil ocupa uma posição única em 2026, mantendo relações com o Ocidente e sendo um membro ativo do BRICS.
Isso o torna um porto seguro para investimentos que buscam acesso a ambos os mercados.
O BRICS+ está reescrevendo as regras do jogo global. Para o investidor e o empreendedor brasileiro, a chave para o sucesso em 2026 será a capacidade de navegar nesse novo mundo multipolar, identificando onde o capital e o comércio estão fluindo e se posicionando estrategicamente para capturar as oportunidades que essa nova geometria de poder oferece.
Autor: Redação Mestre Digital
Referências:
[1] IPEA. O BRICS E A AGENDA DE DESDOLARIZAÇÃO. Disponível em:
[4] CNN Portugal. Unit e a desdolarização em 2026? Disponível em:
[5] Exame. Brasil deve liderar novo ciclo comercial com China e Brics até 2034. Disponível em:
[6] Monitor Mercantil. Brics já representa 1/3 do comércio exterior brasileiro. Disponível em:
[7] Gazeta do Povo. Terras raras e IA: a oportunidade histórica que o Brasil tem. Disponível em:
[8] Click Petróleo e Gás. BRICS pode ganhar três novos aliados estratégicos da América do Sul.
